quarta-feira, 14 de março de 2012

Parte I: A saga cronológica de Lorenzo musical com autismo – A trilogia.

Parte I: O desabrochar do lótus melódico em um pântano autístico.



Mês de junho, em dias secos e enfeitados com o belo de céu azul de Brasília...só que foi em uma noite quando a lua estava bem no meio do céu, finalmente Lorenzo lançou sua voz no mundo, com um choro bonito de menino forte que acabava de nascer.



Sempre tivemos muito zelo com a saúde dele e nunca concordamos com nenhuma técnica para ajudá-lo o que não fosse baseada na Medicina Natural, Vibracional e Energética (somos também terapeutas nessa área). Nós respeitamos profundamente o holismo dele. Como somos vegetarianos, ele é vegetariano de nascença e apesar de já termos ouvido as mais diversas controvérsias, hoje temos certeza de que ser vegetariano é um grande benefício na vida dele.

Até o presente ano de 2012, meu filho nunca precisou fazer uso de remédios alopáticos, sempre foi tratado da forma mais natural possível.

Mas ele iniciou um calendário de vacinação.


E quase perdeu a vida aos quatro meses de idade após uma dose da vacina DPT.

Até então, desconhecíamos o real perigo que uma vacina poderia causar a ele. Mas depois de vê-lo com febre de 41 graus, espasmos, calafrios, com sinais evidentes de encefalite, respiração debilitada e desacordado por 48 horas...e o doutor dizendo: “isso é normal mãezinha, dê o remedinho para baixar a febrinha”, e não tivemos socorro, que inacreditável. Percebemos que estava tudo errado em todos os aspectos. Nas semanas seguintes após ter saído desse quadro de risco ele teve sintomas de coqueluche por vários dias. A vacina para prevenir a coqueluche deixou meu filho em uma situação pior do que se ele estivesse pego a coqueluche naturalmente. Depois fui pesquisar sobre isso e descobri que nos EUA várias crianças haviam morrido após apresentar os mesmos sintomas com essa mesma vacina.

Mas o prana forte do corpinho do meu lindo bebê o tirou daquela situação. Conseguimos ajudá-lo com nosso conhecimento na área da medicina natural. O susto passou, mas desse dia em diante, ficamos bem mais atentos, cuidadosos e bem desconfiados do protocolo médico padrão infantil.

O desenvolvimento do Lorenzo seguiu normalmente, ele era um neném normal, inteligente e feliz. Muito esperto e atento, sua alegria era tão grande que não era incomum a gente ouvir uma sinfonia de gargalhadas quando brincávamos com ele.

ONZE MESES DE IDADE


Aos 11 meses o bebê era lindo! Ele já conseguia dar seus primeiros passinhos. Já batia palminhas quando cantávamos parabéns. Identificava vários bichinhos quando perguntávamos para ele quais eram. Apontava para mostrar as coisas.

Nessa época ele cessou a fase suplementar do aleitamento materno, ou seja, desmamei o menino, e assim ele passou para o uso total da alimentação vegetariana (que incluia ovos e laticínios).

Tinha o sono agitado e raramente alguma crise de terror noturno. Nessa época a alimentação dele era toda orgânica. Seu desenvolvimento era normal e ele já falava algumas palavrinhas. Resolvíamos suas mazelinhas infantis (as gripes, febres, cólicas, comuns a qualquer criança) com chás, ervas chinesas, acupuntura e homeopatia. 

UM ANO DE IDADE


No dia de seu aniversário, em sua festinha, ele ficou bastante incomodado. Chorou do começo ao fim, não foi nada prazeroso para ele estar ali.

Mas a fulaninha e ciclaninho também se comportaram assim no primeiro aniversário. É normal. Diziam-nos isso.

Assim quatro meses se passaram. E alguma coisa estava diferente.

Ele havia parado totalmente a linha evolutiva da aquisição da fala. No lugar, ele passou a cantarolar, um canto afinado, harmônico e precoce para alguém daquela idade, não usava palavras para cantar, apenas “hummmhummmmhummmmm” e “lalalalalalalala”. Mas era algo melodicamente perfeito. Quando ele ouvia música ele balançava os bracinhos como se fosse um mini-maestro regendo um concerto.

Achávamos tão lindo que a falta de comunicação dele conosco passava despercebida. Afinal ele tinha um excelente contato visual, nos puxava pela mão quando queria algo, era muito carinhoso com a gente. Nada demais, parecia somente uma criança sensível e com uma inteligência acima da média. Achávamos que fazia parte de ser o filho de pessoas mais espiritualizadas! Imaginávamos que o menino era uma virtuose e ficávamos super exibidos.

Mas outras coisas foram surgindo. O olhar dele estava um pouco mais vago, não era mais exatamente aquele olhar esperto e atento. Ele acordava várias vezes à noite, ora cantarolando, ora incomodado. As crises de terror noturno aumentaram. E quando o levávamos para locais mais cheios, como festas de aniversário, ele gritava sem parar, entrava em surto total, chorava escandalosamente e nada o acalmava a não ser o trajeto de volta para casa.

Paramos de levá-lo para esses locais com muita gente. O Reiki o livrou totalmente e para sempre do terror noturno. A terapia com florais o acalmou um pouco mais. Descobrimos que os mantras hinduístas e budistas o faziam dormir bem.

Ele NÃO tomou a vacina de sarampo.


DOIS ANOS DE IDADE


Outro aniversário.

Foi em nossa casa, com poucas pessoas. Não teve choro, mas na hora de cantar “parabéns pra você” ele chorou desesperadamente. Mas passou. Porém já não havia mais como não perceber que algo estranho acontecia com ele. As pessoas chegavam e ele nem ligava. Falavam com ele e ele ignorava. Entregavam-lhe os presentes e ele nem queria saber deles. As outras crianças, mesmo as mais novas que ele é que brincavam com seus presentes.

Foi bem marcante ver um menininho de um ano pedalando o triciclo do Lorenzo, dirigindo, falando, mostrando para as pessoas. Lorenzo nem sabia como funcionava um triciclo, era totalmente indiferente com as crianças, com os brinquedos e com tudo. Não falava, não se comunicava, fazia uns movimentos estranhos e continuava cantando muito.

Estava claro demais, ele não estava totalmente sintonizado com nosso mundo. Mas sua mãe curiosa e pesquisadora resolveu saber de verdade o que acontecia com ele.

O que poderia causar problemas de fala e de comunicação? Apraxia? Deficiência auditiva? Não parecia.

... Autismo.

Ei, espera aí, era parecido. Nem todos os sintomas dele eram parecidos com autismo, mas estava bem parecido! E o que eu entendia de autismo? Muito pouco, mas lembrava de um filme que havia assistido na infância que se chamava “Meu Filho, Meu Mundo”, que era a história de um menino autista cujos pais deram um jeito na situação, trabalho lindo por sinal, e o menino ficou bom. A primeira impressão é a que fica, e ficou assim na minha cabeça: autismo é fácil de resolver igual naquele filme.

Corri atrás. Procurei ajuda de profissionais, Lorenzo foi longamente avaliado, preenchi centenas de questionários, tudo tão inconclusivo! A essas alturas eu já havia ouvido falar sobre tudo do autismo, que inclusive era algo terrível oh-coitada-de-você-mãe  e que não tinha cura de jeito nenhum. Mas e o filme? Querida, esse filme é lenda, diziam.

A psicanálise dizia: Ele não tem autismo. E veio uma acusação suave, disfarçada do tipo, ah pais, se ele está assim é porque vocês têm certa culpa no cartório. Ok, mas com culpa ou não, eu tinha certeza que o menino tinha autismo. “Não”, disse a psicóloga, “Ele só convive com adultos e quase não vê crianças, esse é um dos problemas”.

Assim resolvemos colocá-lo na escola. Ele tinha 2 anos e 2 meses. A escola era livre, lembrava um pouco uma escola Waldorf, tinha uma filosofia que combinava muito com a nossa forma de pensar.

Enquanto isso, o filme do menino que havia ficado bom continuava martelando na minha cabeça. E pesquisei. E não é que eu encontrei o povo! Eram eles, lá estava o menino, Raun Kaufman, que já era um homem, e seus pais. Eles não eram lenda e tinham um instituto para ajudar pessoas com autismo, era o Autism Treatment Center of America, e o programa que eles usavam se chamava Son-Rise Program.

Nesse meio tempo, a escola serviu para confirmar que o Lorenzo tinha um real problema de comunicação e interação social. Mas como o pessoal era legal, decidimos manter o Lorenzo por lá.

Procurei então uma psicóloga comportamental, experiente no assunto. Não queria para meu filho a abordagem comportamental, mas eu precisava do diagnóstico para fins burocráticos, já que eu mesma sabia: O que o Lorenzo estava apresentando tinha um nome classificatório, e esse nome era autismo. Ele foi avaliado por ela durante vários dias.

 E a conclusão finalmente chegou: “Sim, ele está dentro do espectro autista, mas ele é esperto, e com sorte vai conseguir aprender muitas coisas, e quem sabe pode ser quase normal”. E eu agradeci, sorri porque finalmente alguém podia ver o que eu via. “Ué, você não vai chorar?” Perguntou a psicóloga. “Não, por que?” Indaguei. “Oras, em meus 30 e sei lá quantos anos de profissão, só vi duas mães não chorarem com a notícia, você e outra.” E foi aí que surgiu minha fama de mãe-zen. Nem quis ouvir o que ela achava da outra mãe que não chorou.

Então lá estava eu, com a história toda confirmada. Precisava seguir adiante, tinha que escolher uma abordagem terapêutica pra o Lorenzo. No fundo, já estava tudo escolhido desde o começo, eu iria atrás do Programa Son-Rise, nada de pessimismo, nada de derrota, nada de sofrimento. Meu filho era uma pessoa sensacional e merecia métodos de tratamento diferenciados, amorosos e inteligentes, que o aceitasse em suas limitações, sem julgamentos, mas que ao mesmo tempo pudesse enxergar a personalidade incrível que ele possuía.

Usando o poder da internet entrei na página do Son-Rise. Tinha um fórum para os pais se comunicarem. Eu escrevi uma mensagem falando sobre o Lorenzo, e logo depois recebi uma resposta de uma professora do método que se chamava Kat. Ela falou que eu deveria ir para o instituto deles, fazer um curso para pais. Como assim Kat? Com que dinheiro? Ela dizia para eu colocar os planos em prática que eles me ajudariam.
Comecei a aplicar algumas técnicas do programa que eles disponibilizavam na internet. E era bacana porque funcionava! Que programa legal.

Foi quando conheci minha amiga Luzanira aqui em Brasília, ela já havia ido aos Estados Unidos fazer o curso do programa. A Lu, mãe da doce Luísa, me ajudou com tudo o que eu precisava para colocar o programa em prática. Logo depois conheci no fórum da webpage do Son-Rise a Simone da Luz Taylor, que já fazia o programa há algum tempo. Simone vive na Inglaterra, é mãe do lindo Thiago, e se tornou minha grande amiga. Foi a Simone que me falou pela primeira vez sobre a outra vertente do tratamento do autismo, que era o tratamento biológico. Foi então que conheci toda a história das questões intestinais, das dietas e das suplementações.

Mas eu ainda estava bem focada na questão do Programa Son-Rise e não comecei a parte biológica naquele momento. Um dia Simone me disse que uma moça brasileira, chamada Mariana, que fazia o treinamento nos EUA para ser uma facilitadora do Son-Rise, gostaria de me conhecer. Iniciei meu contato com a Mariana, gostei dela logo de cara. Quantas pessoas legais eu havia conhecido naquele momento. As oportunidades surgiam para o Lorenzo de forma muito abençoada.

E assim, com ajuda da Lu, da Simone e da Mariana meu programa para o Lorenzo começou a ganhar força. Ele já estava mais interativo comigo e começava a mostrar maior interesse pelo o que acontecia a sua volta. Que encanto! Ele começou a pronunciar palavras cantadas. A pronúncia ainda não era boa, mas eu já entendia o que ele cantava.

Porém eu queria dar um passo mais ousado. Queria ir para os Estados Unidos da América fazer o curso para pais chamado Son Rise Start Up Program.

Eu estava feliz. Endividada até as entranhas. Mas feliz por sentir lá no fundo que o Lorenzo iria ficar bem.

Aguardem a Parte II da trilogia. Será a próxima postagem do blog.









3 comentários:

  1. Aurea, que linda história! Fiquei muito emocionada, vcs são muito especiais! Estou ansiosa pela segunda parte!
    Beijos,
    Thaís.

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  2. maria beatriz brown rodrigues18 de maio de 2012 às 22:10

    Queridíssima amiga Áurea, fiquei encantada com a sua sensibilidade e o seu cuidado ao fazer um blog tão lindo para o Lorenzo! Você é uma MÃE no sentido mais pleno desta palavra! Beijos! Bia

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